Fique Informado Rio Doce - Segundo o Biólogo Gasparini

Diretoria Executiva da Anffema

 

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Presidente 

 

Edson de Lima Ferreira
Secretário


José Odécio da Costa
Membro 

 

Escrito por secretaria   

 

Em entrevista a ((o))eco, Gasparini fala que o estrago maior para a vida do rio foi na região de cabeceira, em Minas Gerais, pois no baixo Doce, no Espírito Santo, os efeitos da chegada da onda de rejeitos de minérios foram mais brandos. E quanto aos seus efeitos no oceano, ele afirma que ainda é cedo para opinar: "Não há o que fazer agora a não ser pesquisar e monitorar tudo, multidisciplinarmente. Atuar sem achismos, de maneira científica, clara e honesta".
Biólogo graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), ele é pesquisador de História Natural, Ecologia, Biogeografia e Taxonomia de peixes. Também atua como consultor.
Leia a entrevista:
((o)) eco: É possível uma recuperação do rio Doce? Como isso se daria? Quanto tempo a ictiofauna levará para repovoá-lo?
Na bacia do rio Doce existem 12 espécies endêmicas, ou seja, ocorrem exclusivamente nela. Há espécies novas ainda não descritas, e também necessidade de revisões taxonômicas para alguns grupos de espécies mais complexos. Esse número deve alcançar algo entre 18 e 20 espécies. Até o momento não são conhecidas espécies com distribuição restrita à calha do rio Doce. Algumas espécies, notadamente as de maior tamanho (como o surubim-do-Doce e a piabanha-do-Doce), são características da calha, mas também ocorrem em afluentes de maior porte.
O rio Doce, entendido aqui como a calha central que foi afetada, voltará a ser colonizado pela fauna que ocorria pré-acidente. Os afluentes representarão as áreas doadoras de onde será iniciada a recolonização da calha principal. Isso deverá ser mais importante nas regiões mais próximas do local do acidente, onde a fauna de peixes foi severamente afetada, quase aniquilada. Entretanto, todos os afluentes devem ser encarados como importantes, e isso independente de tamanho e diversidade de espécies que abrigam hoje.
Em função das proximidades da barragem que rompeu, vale destacar primeiramente os rios Gualaxo do Sul e Piranga. Na região do médio rio Doce, destacam-se os rios Santo Antônio, Suaçui Pequeno e Suaçui Grande. Mas todos os afluentes não afetados serão importantes nesse processo, devendo ser priorizados nas etapas que devem se seguir ao acidente, ou seja, no monitoramento, fiscalização e recuperação.
((o)) eco: Como essa tragédia ambiental da Samarco foi recebida pela comunidade científica do Espírito Santo?
Com perplexidade total. Ninguém, por mais bem informado que fosse, jamais pensou ou aventou a possibilidade que uma tragédia dessa magnitude pudesse ocorrer. Uma imensa barragem de rejeitos localizada na cabeceira de um dos formadores do rio Doce, em MG, pudesse romper e o material nela armazenado escoar por centenas de quilômetros e chegar até o oceano. O total desconhecimento das consequências criou grande perplexidade, ansiedade, ações e inúmeras previsões, algumas fundamentadas e outras completamente sem sentido. Decorridos quase trinta dias do evento, o panorama ambiental começa a se aclarar. Entretanto, ainda levaremos tempo para entender tudo o que se passou.
O fato acabou por evidenciar um problema mais amplo e complexo. Agora, lendo reportagens referentes a outras barragens de rejeitos em diversos estados do Brasil, surgem informações que algumas delas estão em situação delicada, com alto risco. Isso permite deduzir que outros rios e ecossistemas inteiros estão vulneráveis e nem fazíamos ideia.
((o)) eco: Como você analisa iniciativas como a "Operação Arca de Noé", em que populares tentavam salvar peixes do rio Doce?

Foi um "estouro de boiada" no primeiro instante. Muita gente com coração puro e com vontade de ajudar, mas sem uma coordenação com conhecimento técnico-científico e da legislação ambiental. Acabaram atropelando o bom senso, coletando sem autorização, sem critério e soltando em lagoa adjacente ao rio Doce e em outros espelhos d'água naturais. Isso mostra que nem sempre as boas intenções são as corretas. Mas após algumas diretrizes alinhadas com o IBAMA, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Estadual de Meio Ambiente do Espírito Santo (IEMA) e prefeituras, houve uma adequação na metodologia e apenas peixes nativos e/ou ameaçados foram coletados e mantidos em tanques de aquicultura ou açudes isolados para posterior envio ao Centro de Pesquisa e Conservação de Recursos Pesqueiros Continentais (CEPTA) de Pirassununga (SP), detentor de grande expertise na reprodução e manutenção de peixes em cativeiro.
O desespero se deu como resposta às filmagens da mortandade em massa observadas em Governador Valadares e outras localidades do médio e do alto rio Doce.
((o)) eco: Uma das maiores preocupações dos cientistas era a chegada dos sedimentos no mar. Agora que isso ocorreu, quais os impactos sobre a vida marinha na região afetada?
Sem sombra de dúvidas a pior magnitude ocorreu nas proximidades da cidade de Mariana e no alto rio Doce, onde o rio corre veloz e encaixado em vales profundos. Nestas áreas a lama muito densa desceu arrastando e arrasando tudo em seu caminho, não sobrou nada. O cenário foi de uma verdadeira terra arrasada.
No médio e no baixo Doce os impactos foram se abrandando, mas continuaram com magnitudes altas.
Quanto à vida marinha, ninguém sabe ao certo. A falta de dados cruciais deixa tudo ainda difícil de mensurar. Mas uma coisa é certa – não podemos ter uma visão simplista e despreocupada, tampouco uma visão totalmente pessimista, apocalíptica. O problema é imenso e todos os impactos devem ser considerados. Se os rejeitos forem tóxicos e acumularem na biota, podemos ter impactos diversos tanto ambientais como socioeconômicos. A pesca tradicional poderá ser afetada por muito tempo, tanto no rio, nos afluentes, como na foz e em uma boa porção marinha adjacente.
((o)) eco: Há risco para as unidades de conservação (UCs) marinhas como o Parque Nacional de Abrolhos?
Com certeza há para as UCs do Espírito Santo, principalmente a REBIO Comboios, situada na Foz do rio Doce – onde as tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea) realizam suas desovas. Praticamente é a única localidade do país onde ocorre a desova dessa espécie ameaçada de extinção.
O Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) de Santa Cruz e a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas, situados poucos quilômetros ao sul da Foz do Doce, também estão em risco.
O Parque Nacional de Abrolhos, situado ao norte, pode receber essa lama de rejeitos, não agora, mas a medida que os sedimentos forem sendo retrabalhados ao longo dos anos, após sucessivos eventos de cheia do Doce e de outros rios da região, e após mudanças de ventos e correntes. Podem chegar lá, sim. Não sabemos como esse "talco" de sedimentos de rejeitos pode afetar corais e algas. Será necessário pesquisar e monitorar.
Por Fábio Pellegrini

 
 
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